Segundo Jane Straus, “a peça do quebra-cabeça, que é símbolo do TEA, é muito mais aplicável, na minha opinião, aos NTs (neurotípicos), que parecem esperar que adivinhemos o que eles estão pensando. É impreciso, em sua suposição de menino-azul, e sua suposição de que somos tão impossíveis de entender. Aqueles de nós que podem se comunicar de uma maneira que os normais entendem são tão simples e diretos no que dizemos que, se eles apenas prestassem atenção, não seríamos um quebra-cabeça”.
(https://alifeworthliving.ca/the-autism-puzzle-piece-a-symbol-thats-going-to-stay-or-go/ | Acessado em 2/4/2022)
Isso é, honestamente, algo que eu penso muito. É tão difícil assim revelar as nossas expressões de forma a nos fazermos entender? Por exemplo, posso ser horrível em fazer expressões, mas mudo completamente meu comportamento dependendo do meu humor. Eu mudo meu tom, minha linguagem corporal… e, mesmo assim, mesmo as pessoas mais próximas a mim, parecem não me entender. Meu tom sem emoção pode ser visto por eles como “bravo”, simplesmente porque eu não estou agindo de forma alegre e pareço tão séria, que eles simplesmente ASSUMIRAM que estou com raiva. E… Isso parece ser um problema surpreendentemente grande e comum.
Pessoas neurotípicas tendem a nos comparar a si mesmas, mas muitas vezes a forma como uma pessoa autista se expressa é completamente diferente de como as pessoas neurotípicas costumam se expressar. Os neurotípicos têm muitas maneiras de se expressar, o que também vale para a comunidade autista. Cada pessoa pode se expressar de forma diferente. No entanto, o problema parece ser que nossas formas de expressão, às vezes, são “muito diferentes” das formas “normais” ou formas esperadas de expressão. Isso os levam a tentar resolver nosso “quebra-cabeça”, muitas vezes assumindo proposições erradas e baseadas neles.
Mas… é realmente um quebra-cabeça? É realmente um mistério quando as respostas podem estar literalmente presas em um pedaço de papel na parede atrás de você? Muitas coisas na minha forma de expressar permanecem comigo. Na verdade, eu ousaria dizer que não mudou nada, apenas amadureceu, como uma fruta. E, no entanto, muitas vezes até meus pais não conseguem descobrir como estou me sentindo.
Mas… a coisa que conecta esses dois últimos parágrafos é que, na verdade, eu digo a eles (meus pais) como estou me sentindo, mas eles parecem não entender mesmo assim… Muitas vezes eles insistem que estou sentindo algo que realmente não sinto. Eles não parecem acreditar no que digo sobre isso, a menos que eu dê uma explicação totalmente detalhada.
A coisa triste sobre isso é que eles realmente tentaram e ainda tentam aprender o máximo possível sobre o autismo para me ajudar. Diabos, eles foram os primeiros a suspeitar que eu poderia ser autista, assim eles continuaram tentando entender tudo melhor e ver se isso realmente era o caso. (Para mim, esse diagnóstico foi surpresa? Surpresa, foi, mas também um grande alívio, na verdade).
Mesmo assim, eles ainda não parecem entender, o que é meio triste e engraçado ao mesmo tempo. De todas as informações que eu dei a eles durante todo o tempo que passamos juntos, muitas das quais eu já repeti mais de uma dúzia de vezes, eles já poderiam ter imaginado tudo.
Eu descobri como eles se expressam, eu até descobri como outras pessoas autistas, com casos e comportamentos completamente diferentes do meu, se expressam. Consegui entendê-los sem conhecê-los tão bem como meus pais me conhecem (literalmente toda a minha vida!). Consegui conhecê-los sem eles dizerem como estavam se sentindo, apenas observando e, quando perguntava, aquela observação era confirmada.
Infelizmente, isso parece acontecer com muita frequência e para muitas pessoas. Algumas pessoas podem ser amigas, às vezes um membro da família, mas infelizmente parecem comparar ou tentar adivinhar nossas formas de expressar com base nas deles, em vez de fazerem o que muitos de nós fazemos quando tentamos realmente aprender qual é a maneira específica dessa pessoa de mostrar suas emoções, como ela se expressa.
Não somos quebra-cabeças, muito menos temos uma peça que falta. Nós apenas nos expressamos de uma maneira que as pessoas geralmente acham que não é “normal”. Mas é realmente anormal se expressar de forma diferente? Todo mundo não faz isso, mesmo que, às vezes, seja uma diferença quase imperceptível?
Mas, então, qual é exatamente a diferença e por que os NT supõem ou tentam adivinhar nossos sentimentos com base em outras pessoas? Todo mundo não é único? Você não deveria prestar atenção às maneiras únicas que cada pessoa age? Todos têm os mesmos talentos, dificuldades e preferências?
Por último, mas não menos importante, só porque você é diferente do “normal” é realmente ruim para você ou para os outros?
Afinal, todo mundo é diferente!